segunda-feira, 10 de junho de 2013

O teu ser

A carta a seguir é muito emocionante e linda. Não é de minha autoria, mas me emocionei muito quando a li. Por mais que as palavras sejam finitas diante de nossos sentimentos, elas, ainda assim, conseguem representar, de modo pequeno porém lindo, o nosso amor.

     "Sempre que tentei começar algum texto sobre ti, ou sobre o que sinto, nunca soube ao certo como começar. Cada vez tenho mais certeza que as pessoas certas surgem nos momentos certos. E tu foi uma delas. Não sei o que me atraiu em ti. Mas pensando bem, eu sei, e se digo que não sei às vezes, é por preguiça de explicar. Pois bem, eu amo pessoas que me oferecem os olhos. Pessoas que me deixam olhar nos olhos delas sem medo, que tem no lugar da pupila o coração. Aprendi com o tempo que gente de verdade olha no olho quando é necessário, que não esconde o olhar. E eu simplesmente amo o jeito como o teu olhar é hipnotizante, que eu posso achar um poço de bons sentimentos em apenas um olhar. E olha só, esse olhar é teu! Até hoje a única pessoa que tive uma vontade quase incontrolável de encontrar só para ver os olhos. Talvez a única pessoa que eu realmente QUIS olhar nos olhos, não simplesmente por educação, mas por ser até hoje o único que me olhou nos olhos também.
     Mas se existe algo mais que me encanta tanto quanto o teu olhar, é aquilo que ele reproduz: o teu ser. Uma pessoa doce, dócil e tão facilmente amável. Acho que me acostumei tanto ao modo rude do mundo que fico tão impressionada em ver que por trás de todas as tatuagens e um jeito de inconsequente, existe uma criança. E o melhor: uma criança adulta, com uma mente cheia de sonhos ainda por realizar (e eu sei que vai), com uma criatividade feroz e uma vontade de descobrir, aprender e ensinar. O jeito como consegue entregar o teu coração com um simples ato de bondade. O jeito como tu me beija. [...] Talvez seja isso o algo a mais que eu ainda não descobri, que me prende tanto a ti. Mas não espere que eu demonstre tudo isso. Tenho mania de sentir, escrever e guardar pra mim. E só digo tudo de uma vez se achar que depois não vou me arrepender de ter aberto a quem sinto. Vou dizendo aos poucos, fazendo aos poucos, como se eu preferisse deixar o melhor para o final, ou talvez seja só para fazer o que eu gosto durar até o momento em que eu achar que devo dizer tudo. E acho que se um dia eu chegar a te entregar isso é das duas uma: eu te amo ou não quero mais e guarde isso de lembrança. Espero que seja a primeira.
     Quando não existe sentimento é tão mais fácil de lidar. E eu não sei (e acho que nem quero) aprender a lidar. Se eu gosto, eu gosto. E se tu gostar de mim, acho que tive sorte. E se não gostar, vou aprender a lidar com isso. Talvez seja esse o meu medo. De não saber se isso é real. E se for, será que é o suficiente? 'As pessoas acham que se você amar alguém o bastante, tudo dará certo. As pessoas estão enganadas.' Não sou muito crente no amor, mas creio piamente no afeto que uma pessoa possa ter pela outra. E em mim, você tem isso. Mas como tu mesmo disse várias vezes 'tu nunca vai esquecer de mim!'. E eu sei que não vou.

AILPI"

FIM - 7ª CARTA

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Eu lhe diria/ Sem sentido

     "Enquanto humanos, sempre procuramos redarguições para os nossos enigmas. Parece ser algo óbvio, mas nem sempre o que parece ser simples de fato é. Para determinadas situações, realmente não existem respostas, e às vezes, não aceitamos isso. Todos nós sempre buscamos certo nexo para o que sentimos ou para algo que aconteceu e, a questão, talvez, é bem maior que uma definição trivial.
     Perguntei a mim, durante muito tempo, porque amo você. Eu não encontrava sentido algum. O que leva uma pessoa a se apaixonar por outra, que é de um universo tão distante do dela? O que fortalece, o que "alimenta" esse sentimento, se não há contato entre a parte que ama e a que é amada? Eu me fiz todos esses questionamentos. Assim como você deve está se fazendo agora. Mas, já passados tantos anos, não encontrei as respostas. E digo mais, fui eu quem decidiu parar. Não há nada que possa me explicar, de forma concisa, porque amo tanto um homem que talvez nem saiba de minha existência. Decidi, apenas, deliciar-me com esse lindo sentimento.
     Então, peço a você que apenas aceite o meu amor. Não que me corresponda, mas que não o questione. Porque se o fizesse, eu lhe diria que a sua alma me cativou. Mas não haveria, realmente, sentido. Também lhe diria que cada fio de cabelo seu me encantou no momento em que lhe vi passar em minha frente, pela primeira vez. E você pode me perguntar "mas como?". E eu lhe diria que o tempo me possibilitou estudá-lo e nutrir meus sentimentos. Mas aí você perceberia que nem tudo que acontece ou surge precisa de um sentido real. Por isso eu lhe peço que não me interpele, porque eu lhe diria mil razões, mas nenhuma delas seria o bastante para lhe fazer ver algo lógico.
     Talvez seja loucura amar cada gesto seu, de um movimento surpreendente com uma bola ou uma simples e estonteante "mexida" nos cabelos; amar sua voz, sem que ela jamais tenha sido direcionada a mim (talvez uma ou duas vezes, há muito tempo, e não que você se lembre). Eu sei que é muito insanidade amá-lo. É algo em que ninguém acreditaria. Contudo, confesso não me importar com a acepção alheia. Em relação a tudo isso que eu sinto, me preocupo apenas com você e com o que pode pensar sobre as palavras que aqui estão escritas. Imploro que não as banalize.
     Também peço que me perdoe por toda essa confusão. Me perdoe por fazê-lo perder tempo com algo tão ilógico. Só tenho algo mais sem nexo a lhe requestar: acredite em mim, por mais que não entenda. Como acreditar em algo que não se compreende? Tudo em minha fala parece se distanciar cada vez mais da lucidez ou racionalidade. Lembre-se, entretanto, do que eu expus no começo dessa carta: um sentimento, às vezes, é bem mais que uma simples busca por razão ou sentido.

Natássia"

FIM - 6ª CARTA