Essa carta foi escrita no dia 12 de dezembro de 2011. Foi a primeira carta que fiz para o homem cujo feito maior foi roubar meu coração para si. Há uma leve coloquialidade, também imaturidade, e é importante frisar que parece mais ser uma conversa com um possível leitor do que com o homem que penso amar (e seria essa a carta a qual eu iria entregar para ele), o que instiga ainda mais a atenção para o desenvolvimento do sentimento, fortificado com o passar do tempo, e representado nas próximas cartas.
Talvez, essa carta não seja ideal para a primeira postagem do blog, mas confesso que a achei tão bruta, que nem me dei o trabalho de lapidá-la, a fim de ver o modo como me expresso em palavras com as outras produções, e é bonito de acompanhar. Vamos ver o começo de toda a ideia para o blog. Peço que não se atenham aos pequenos e falhosos detalhes, já citados anteriormente, e sim na beleza da pureza de um sentimento ainda sendo descoberto.
"Veja bem, esta história de
amor é um pouco diferente das demais, pelo menos das quais já estou acostumada
a ouvir, ou ler, ou a conhecer. Talvez pelo fato de eu nunca ter criado contato
com o homem que eu amo, ou por eu ter a certeza de que jamais algum dia poderei
ter algo com ele, construir uma história ao seu lado. Todos me dizem ser impossível,
e assim como eles, eu sei que não será possível realizar esse meu sonho. Eu
meio que estou aprendendo a conviver com essa situação, digo, aprendendo a
aceitar, e apenas desfrutar do amor que sinto por ele...
Há um ano (em 2010), na 8ª série, eu entrava na minha
nova escola, e foi lá que o vi pela primeira vez. Eu sei o que você
provavelmente deve estar pensando: “ah, ela é uma adolescente, é só uma fase,
depois passa...” ou até mesmo “isso é só uma paixãozinha”. Bom, enquanto a
primeira frase, o que eu tenho a dizer é que eu sei que eu sou uma adolescente,
mas também sou um humano, que vive uma fase, e essa fase, querendo ou não, é a
fase em que eu penso estar sentindo amor por alguém, e esse alguém é ele. Não é assim mesmo? Nós vivemos as
fases, não é só porque eu sou uma adolescente que eu não possa sentir amor de
verdade, que tudo o que eu sinto seja passageiro. Eu não acredito nisso.
Acredito que por ser adolescente, tenho várias dúvidas, e problemas, mas todos
nós temos. Crianças, adolescentes, adultos, idosos, humanos em geral.
Enquanto a segunda frase, eu não tenho nada a dizer, porque eu sei que sinto
amor, mas ao ver de qualquer outro alguém, isso seja apenas um encantamento passageiro,
um sentimento de fase, ou até mesmo deve haver alguém que ache que o que sinto
por ele seja real. Cada qual com a
sua opinião. Mas eu prefiro continuar a história, e deixar os julgamentos para
depois.
Na época, eu achava ser só mais um rosto bonito. E
também gostava de outro rapaz. Mas sem muitos detalhes. Eu só sei que teve um final meio trágico, aliás, não um final,
porque mesmo ele me dizendo que não seria nada mais que um amigo meu, eu
continuei a gostar dele. Bem, você poderia me chamar de masoquista quando o
assunto que estiver sendo abordado for o amor, eu não discordaria, tampouco
retrucaria, porque talvez essa seja a verdade. Voltando... Eu já não queria
mais amá-lo, e isso me deu forças para tentar esquecê-lo. Um progresso, já que
antigamente, nem conseguir tentar eu conseguia. Estranho, eu sei. E surgiu ele, com toda a sua beleza, com todo o
seu charme, com todo o seu encanto de príncipe. Juntando A+B, consegui esquecer
o primeiro, mas aí me apaixonei pelo homem por quem hoje acredito sentir amor.
Digamos, que foi uma "troca" justa, e muito gentil. Porque assim eu me tornei
amiga de um após um tempo de esquecimento do dito cujo, e me apaixonei por um
rapaz, que apesar de se demonstrar bem mais impossível de se tornar meu, me faz
mais feliz, e sofrer bem menos que o outro. Vale ressaltar que eu sou feliz
sentindo amor por ele. Digo, não sofro por ser um amor platônico, só agradeço
pela chance de ter conhecido um homem tão admirável quanto. Mas claro, que eu
estaria mil vezes mais feliz se ele estivesse ao meu lado...
Ele é tão lindo, tão autêntico. Talvez o homem mais
lindo que eu já tenho visto em toda a minha vida. Ele é cheio de graciosidade,
quando ele passa por mim e eu sinto aquele cheiro maravilhoso, ou sinto a
energia de seu ser. Não posso decifrar o quão bom é isso. E não sei como
agradecer por amar alguém tão especial como ele. Seus cabelos são lisos,
sedosos, maravilhosos. Seu corpo fenomenal, e executa os movimentos mais
contagiantes e sedutores possíveis. Seu rosto é dono dos traços mais bem
trabalhados do mundo. Ele é dono de um rosto poderoso, que carrega a imagem e
semelhança da perfeição, e se não chegar a tanto, pelo menos perto disso. Sua
voz, e a maneira como ele se expressa... Sem palavras. Eu poderia dizer as
melhores palavras do mundo, mas nenhuma seria capaz de demonstrar o verdadeiro
sentimento que ele conseguiu, sem
nenhum esforço ou vontade, colocar dentro de mim. E eu amo o tanto por isso. Tenho
tanto a agradecer a ele, por ter me mostrado um dos sentimentos mais lindos e
prazerosos que um ser vivo pode ter dentro de si: o amor.
Eu só não digo tudo isso a ele por medo de
prejudicá-lo. Prejuízos do tipo: perder o emprego por minha culpa, ou brigar com a mulher que ele ama (sim, ele tem uma namorada), ou qualquer outra coisa. Mas ninguém pode dizer que há uma infelicidade
em mim por causa disso. Não, o amor que sinto por ele só me fez bem, só me
trouxe alegria, apesar dos pesares. Fez de mim melhor.
Então, com a minha história acaba-se o mito de quem
ama e não é correspondido tem que ser, obrigatoriamente, infeliz. Não mesmo. Eu
adoro amá-lo, independentemente de ser correspondida ou não. É um sentimento
bom, meigo, puro, positivo. E não há nada nele que faça de mim uma infeliz. Eu o
amo, e é isso.
Natássia Portela"
FIM - 1ª Carta