"Enquanto humanos, sempre procuramos redarguições para os nossos enigmas. Parece ser algo óbvio, mas nem sempre o que parece ser simples de fato é. Para determinadas situações, realmente não existem respostas, e às vezes, não aceitamos isso. Todos nós sempre buscamos certo nexo para o que sentimos ou para algo que aconteceu e, a questão, talvez, é bem maior que uma definição trivial.
Perguntei a mim, durante muito tempo, porque amo você. Eu não encontrava sentido algum. O que leva uma pessoa a se apaixonar por outra, que é de um universo tão distante do dela? O que fortalece, o que "alimenta" esse sentimento, se não há contato entre a parte que ama e a que é amada? Eu me fiz todos esses questionamentos. Assim como você deve está se fazendo agora. Mas, já passados tantos anos, não encontrei as respostas. E digo mais, fui eu quem decidiu parar. Não há nada que possa me explicar, de forma concisa, porque amo tanto um homem que talvez nem saiba de minha existência. Decidi, apenas, deliciar-me com esse lindo sentimento.
Então, peço a você que apenas aceite o meu amor. Não que me corresponda, mas que não o questione. Porque se o fizesse, eu lhe diria que a sua alma me cativou. Mas não haveria, realmente, sentido. Também lhe diria que cada fio de cabelo seu me encantou no momento em que lhe vi passar em minha frente, pela primeira vez. E você pode me perguntar "mas como?". E eu lhe diria que o tempo me possibilitou estudá-lo e nutrir meus sentimentos. Mas aí você perceberia que nem tudo que acontece ou surge precisa de um sentido real. Por isso eu lhe peço que não me interpele, porque eu lhe diria mil razões, mas nenhuma delas seria o bastante para lhe fazer ver algo lógico.
Talvez seja loucura amar cada gesto seu, de um movimento surpreendente com uma bola ou uma simples e estonteante "mexida" nos cabelos; amar sua voz, sem que ela jamais tenha sido direcionada a mim (talvez uma ou duas vezes, há muito tempo, e não que você se lembre). Eu sei que é muito insanidade amá-lo. É algo em que ninguém acreditaria. Contudo, confesso não me importar com a acepção alheia. Em relação a tudo isso que eu sinto, me preocupo apenas com você e com o que pode pensar sobre as palavras que aqui estão escritas. Imploro que não as banalize.
Também peço que me perdoe por toda essa confusão. Me perdoe por fazê-lo perder tempo com algo tão ilógico. Só tenho algo mais sem nexo a lhe requestar: acredite em mim, por mais que não entenda. Como acreditar em algo que não se compreende? Tudo em minha fala parece se distanciar cada vez mais da lucidez ou racionalidade. Lembre-se, entretanto, do que eu expus no começo dessa carta: um sentimento, às vezes, é bem mais que uma simples busca por razão ou sentido.
Natássia"
FIM - 6ª CARTA
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