quarta-feira, 13 de março de 2013

Apenas uma resposta

      "O conceito de amar, para mim, é indiscutível. Pois depende de quem sente, depende de como o amado acha que se deve sentir, de como cada pessoa - em um universo de mais de sete bilhões - define como seja. Ou seja, é tão subjetivo que não existe um conceito exato. Mas o que todos temos em comum é que, apesar de sentirmos, não sabemos ao certo expor em palavras o que verdadeiramente ocorre dentro de nós; não há como seguir uma linha tênue, já que é algo que foge ao plano da fala, da escrita, da matéria. Então, pergunto a você, meu amor: saberia colocar em palavras o que sente realmente por alguém? Teria coragem para isso? Porque há quatro anos eu venho tentando fazê-lo. E com o passar desse mesmo tempo, sempre soube que falharia, que jamais seria capaz de seguir a tal linha tênue
      Mesmo que eu colocasse aqui, nessa carta, que amo vê-lo - mesmo que de longe -; admirá-lo; ver o modo como trata e brinca com as crianças - é algo tão extraordinário e lindo de se ver, mesmo que ao seu olhar seja seu trabalho ou algo normal, causa em mim um reboliço de emoção e prazer ao vê-lo ensinando e cuidando delas (confesso que imagino vendo-o cuidar de nossos próprios filhos, num futuro inexistente); como você se coloca em frente a uma bola, seja com simples brincadeiras (que ao meus pés seriam impossíveis de serem reproduzidas) ou como algo mais sério - você é tão eficiente e magnífico naquilo que faz, que chega a doer dentro de mim não estar ao seu lado dizendo o quão perto da perfeição você chega; até os pequenos detalhes, como o fato de como você lindamente anda, de como amacia os cabelos tão lisos, de como fala - e sua voz tem um poder inimaginável sobre meu simples ser. Mesmo que eu lhe dissesse que adoraria acompanhar e apoiá-lo em tudo aquilo que você almejasse fazer, ou simplesmente abraçá-lo, demonstrando em um ato tudo aquilo que essas palavras não são capazes e também desejando passar um bom tempo ali, sentindo seu corpo perto do meu, seu cheiro, e lhe amando.
      Nada disso passaria perto ou representaria o sentimento que guardo por você - ou o que penso guardar. Eu sei que você ama alguém, e o meu pedido, de verdade, não é que retribua o que sinto (porque apesar de não entender o amor, entendo perfeitamente o significado de utópico), por favor, não pense que é isso. Só quero passar a você, ou pelo menos tentar, algo que tomou conta de mim há um bom tempo. Mentira. O que quero realmente é descobrir se, no seu conceito de amor, eu realmente lhe amo. Quero saber se realmente conseguiu compreender que lhe amei. Ou se o meu amor, algo tão lindo e raro (para mim), é algo bem longe disso para você, apenas algo pequeno, dispensável, banal e inútil. Só lhe peço essa resposta, só essa.

Natássia"

FIM - 2ª Carta

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