"Para cada conceito criado pelo homem, há uma relativização. Coloquialmente, a visão de um a cerca de um determinado assunto pode ser diferente da de um outro, devido a uma série de fatores. Sendo um pouco objetiva, o conceito de amor é tão relativo que se torna uma verdadeira batalha fazer com que o outro aceite a sua posição em relação a ele. E não poderia deixar de mencionar que o amor, tirando toda a sua relatividade, é indecifrável, praticamente impossível de ser descrito nas palavras de qualquer um. Seria perda de tempo, então, tentar fazê-lo? Não se sabe, é relativo.
Supondo que na sua visão seja perda de tempo, irei perder meu tempo aqui, nessa carta, tentando (mesmo que eu saiba que serão infinitas as coisas que esquecerei de lhe mencionar; que irei fracassar) representar em palavras o que penso sentir por você. Mas como já se sabe, é tudo tão relativo.
A primeira vez que lhe vi, tratei apenas de agradar minha visão com a inalcançável beleza do seu físico. Então, depois, passei a lhe estudar. Com o passar do tempo, me vi o admirando e o amando com todas as forças que jamais imaginaria ter - você, involuntariamente, as disponibilizou a mim. Sempre me atendo aos mínimos detalhes, como o simples e lindo ato do seu caminhar ("sem muita certeza de como sentir sobre isso... algo no jeito como você se move" ♫), ou acompanhando o crescimento de sua barba em conjunto com o de seus cabelos perfeitos (o ápice de sua beleza); como a maneira como se dá com o esporte, que parece ser uma grande paixão na sua vida, me causando muito orgulho por você ser tão eficiente naquilo que se propõe a fazer... E atualmente, me vejo, perdidamente apaixonada e escrevendo essa carta.
Como eu havia imaginado, eu fracassei. Mas eu sabia que não haveriam linhas ou palavras suficientes para sustentar ou demonstrar o meu sentimento por você. Só eu sei como queria que você me desse o resto de nossas vidas, para que a cada dia eu lhe dissesse uma razão porque o amo. De fato, teríamos que viver uma eternidade para que eu pudesse lhe dizer os meus motivos. Só há um único problema. Eu lhe amo? Eu tenho certeza que sim. E você?
Como eu odeio esse negócio de tudo ser relativo.
Como eu odeio esse negócio de tudo ser relativo.
Natássia"
FIM - 3ª Carta
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